O diagnóstico geralmente é construído a partir da combinação de várias informações. Raramente depende de um único exame.
1. História clínica. Busca entender a idade de início dos sintomas, o primeiro sintoma percebido, a presença de cegueira noturna, dificuldade de leitura, fotofobia, perda de campo visual, a velocidade e o padrão de progressão, o impacto na vida diária, os exames anteriores e os diagnósticos prévios.
2. História familiar. É essencial nas doenças hereditárias da retina. Durante a consulta, podem ser investigados familiares com baixa visão, casos de cegueira, parentes com diagnóstico semelhante, consanguinidade, idade de início da perda visual nos familiares, quais homens e mulheres foram afetados e o padrão de transmissão entre gerações. Em alguns casos, é construído um heredograma, ou árvore familiar, para compreender melhor o padrão de herança.
3. Exame oftalmológico completo. Pode avaliar acuidade visual, refração, pressão intraocular, segmento anterior, cristalino, vítreo, retina, mácula, nervo óptico e retina periférica. Mesmo em doenças genéticas, o exame clínico continua sendo fundamental: o teste genético não substitui a avaliação oftalmológica.
4. Imagem multimodal da retina. É uma parte central da avaliação das distrofias hereditárias. Podem ser utilizados retinografia, autofluorescência, OCT de mácula, OCT de nervo óptico quando indicado, angio-OCT, angiografia fluoresceínica em situações específicas, imagem de campo amplo e avaliação da retina periférica. Esses exames ajudam a caracterizar o padrão da doença, documentar a extensão das alterações e acompanhar a evolução ao longo do tempo.
5. Testes funcionais. Avaliam a função da retina e incluem eletrorretinograma de campo total, eletrorretinograma multifocal, eletro-oculograma, campo visual, microperimetria, testes de visão de cores e testes de adaptação ao escuro. Eles ajudam a entender quais células e regiões da retina estão funcionando de forma alterada.
6. Teste genético ocular. Pode confirmar o diagnóstico molecular, identificar o gene envolvido, diferenciar doenças parecidas, esclarecer o padrão de herança, orientar risco para familiares, identificar familiares em risco, avaliar elegibilidade para terapias específicas e estudos clínicos e contribuir para o planejamento familiar quando apropriado.
O nome da doença é importante, mas muitas vezes não conta a história inteira.
Termos como retinose pigmentar, doença de Stargardt ou distrofia hereditária da retina descrevem grupos de doenças que podem ter diferentes causas genéticas e diferentes padrões de evolução.
Por isso, a avaliação especializada busca responder perguntas mais específicas:
- Qual é a doença mais provável?
- Qual parte da retina está mais afetada?
- A visão central está preservada?
- Há perda de campo visual?
- A doença está estável ou progredindo?
- Existe alguma complicação tratável?
- Há indicação de teste genético?
- O gene envolvido muda o prognóstico ou o acompanhamento?
- Familiares precisam ser avaliados?
- Há terapias ou estudos relacionados àquele gene?
Essa abordagem ajuda a transformar um diagnóstico amplo em um plano de cuidado mais individualizado.